“A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. No presente, nós vemos como num espelho e de maneira confusa; então, veremos face a face. No presente, conheço de maneira imperfeita; então, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.“- S. Paulo, 1 Cor 13, 4-13Dia 27 de setembro,
São Cosme e São Damião. Minha lembrança mais viva é minha mãe montando saquinhos de doces e mais tarde a substituição dessa prática por doações de cestas básicas em orfanatos. Durante muito tempo depois da sua partida, tentava a minha maneira, dar continuidade a isso. Doei nossas coleções de enciclopédias, roupas, alimentos, livros, mas isso não era o suficiente. 2006 foi o ano que encontrei o caminho certo, não só para por em prática o que me foi passado, mas também entender o sentido daquilo que presenciava quando criança. A separação dos brinquedos todo fim de ano incentivada por nosso pai e a idéia de caridade recebida nos anos do Sacre Couer.
Nosso grupo escolheu um hospital infantil que atende crianças portadoras do HIV e câncer - prefiro não mencionar o nome do hospital - para o recebimento dos donativos desse ano. Fiz os 50 saquinhos, meus e do meu irmão, mas sabíamos que doces não poderiam ser entregues. Entregaríamos para outras crianças. Compreensível. Então compramos alguns brinquedos e caixas de leite em pó. Sabemos que pequenas doações podem não solucionar todas as coisas, mas ajudam. O mais importante é ir até lá e tentar levar um pouco de alegria as crianças - tive a oportunidade de participar de algo grandioso no ano passado em visita a Fundação Ricardo Moisés em Juiz de Fora.
Chegado o grande dia, tudo combinado anteriormente com uma enfermeira responsável, recebemos então a seguinte notícia: O leite comprado poderia ser deixado, mas a responsável pela chave de uma sala onde seriar guardada essa doação, SEM RISCO DE EXTRAVIO, não estava no hospital. COMO ASSIM? Deixaríamos as caixas de leite em pó, mas sem garantia de que seriam distribuídas para as famílias das crianças internadas e até outras que fossem ali para receber? Sem perder o espírito que nos motivara até ali, decidimos quem entraria na enfermaria para a entrega dos brinquedos e ter a chance de conhecer e levar um pouco de felicidades aos pequenos. Não fui dessa vez... Outras 3 pessoas escolhidas ali iriam cumprir nossa missão. Lá fora, calor e espera. Queria saber logo como foi. Depois de um tempo avisto os escolhidos voltando. Cada um carregava uma expressão, mas todos visivelmente preenchidos em suas aparências.
Foi muito bom! Disseram. As crianças estavam quase adormecidas e um pouco sem entender quem eram aquelas pessoas. Segundos depois de falado o motivo daquela visita, a enfermaria se encheu de alegria. Imagino! Adoraram os presentes conversaram e agradeceram assim como suas mães que os acompanham em condições nada confortáveis.
Falar disso e escrever sobre isso é só um gesto para divisão dessa sensação de ter ajudado alguém e desabafar o incômodo que sempre sinto por não poder fazer mais. Muito mais. Levamos nossas caixas de leite para serem doadas por nós, em mãos, pois assim faz sentido. Perguntei-me então, como podemos fazer a caridade e se acertamos na forma de doação. Depois de muito pensar – atividade constante, até cansativa praticada por mim, percebi que tudo na vida tem preço e a para fazer caridade também. Cada sim significa um não. Cada criança daquele hospital recebeu a visita e o kit de presentes, mas não o leite. O leite foi para outras crianças. O que importa no final é que mesmo sem presente, sem leite ou doces, dar um pouco do seu tempo – que não se compra por dinheiro algum, as pessoas que precisam de um de atenção, uma conversa, uma leitura ou apenas um abraço, calculamos o verdadeiro valor da caridade feita com o coração, todos os dias.
Não sei se encontramos a forma certa, mas não desisto da busca. Torço para que hospitais, orfanatos e creches nos ajudem a colaborar mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário